Nem toda bebida que contém bolhinhas é vinho espumante. Ou, sendo mais preciso: quase tudo que as contém não o é. A advertência parte do Instituto Brasileiro do Vinho, empenhado que está em eliminar confusões e proteger a denominação oficial desse carro-chefe da vinicultura nacional. Numa cartilha que acaba de lançar, de autoria da advogada Kelly Lissandra Brusch, o Ibravin alerta para o fato de que, pela lei vigente, a classificação "vinho espumante" se aplica apenas à bebida elaborada a partir de uvas frescas e maduras, na qual se faz presente o gás carbônico proveniente da sua própria fermentação.
O espumante se diferencia por resultar de duas fermentações alcoólicas. A primeira delas origina o vinho tranqüilo; as bolhinhas provêm da segunda, que acontece na própria garrafa (método champenoise ou tradicional), ou em grandes cubas de inox fechadas, as autoclaves (método charmat). Não é obrigatório constar no rótulo o método praticado, mas sempre que se adota o champenoise a menção acontece, pois este tende a proporcionar bebidas de maior qualidade.
A segunda fermentação advém do acréscimo, à garrafa ou à autoclave, de uma dose de vinho com açúcar e leveduras especiais. Produzido assim, o espumante irá se destacar pela cor, sabor e paladar. Mas há outras características que lhe são indispensáveis: teor alcoólico entre 10 e 13% em volume, e bolinhas naturais, provenientes apenas da fermentação, e não adicionadas artificialmente. Por fim, o grau de doçura do vinho espumante é determinado pela maior ou menor quantidade de açúcar contida num licor acrescentado quando se dá o arrolhamento final da garrafa. Há cinco classificações: extraseco (de 0 a 6 gramas de açúcar por litro de espumante), brut (de 6 a 15g), sec (de 15 a 20g), demi-sec (de 20 a 60g) e doce (mais de 60g).
O Ibravin esclarece também que outra bebida com direito ao nome oficial de vinho espumante é o Moscatel. À diferença do primeiro, ele passa apenas por uma fermentação em autoclaves e utiliza como variedade de uva só a Moscatel. O gás carbônico tem de ser natural e o percentual alcoólico menor, entre 7 e 10% em volume. O espumante Moscatel não tem graduações de doçura. Deve conter no mínimo 20 gramas de açúcar por litro.
Há um grande número de produtos no mercado usando indevidamente o nome de espumante, alguns até à base de uvas, como os chamados vinhos frisantes e os filtrados doces, onde o gás carbônico é injetado artificialmente. Outros provêm de frutas, como a sidra, feita de maçã. E tem ainda os conhecidos como bebidas alcoólicas mistas, onde se mistura destilados de cana de açúcar com outros componentes, caso do cooler, da sangria e dos demais coquetéis, para não falar dos refrigerantes e similares. Todos parecem espumantes. Parecem, mas não são. |